Autônomo 4 min de leituraAtualizado em 25 de junho de 2026

Quanto cobrar por hora como autônomo ou freelancer em 2026

Definir quanto cobrar por hora não é dividir o salário que você quer pela jornada cheia do mês. O preço certo soma a renda líquida desejada, os impostos e os custos fixos, e divide tudo pelas horas que você realmente fatura — cerca de 70% das trabalhadas. Veja a fórmula, um exemplo com os números de 2026 e o erro que faz o freelancer cobrar barato demais.

Quanto cobrar por hora como autônomo ou freelancer em 2026

A fórmula do preço por hora

Muita gente define o valor da hora no chutômetro ou copiando o concorrente — e descobre tarde que o preço não paga as contas. O caminho seguro parte de uma fórmula simples:

preço/hora = (renda líquida desejada + impostos + custos fixos) ÷ horas faturáveis

Cada parte tem um papel:

  • Renda líquida desejada: quanto você quer que sobre no seu bolso no fim do mês, já livre de impostos e despesas.
  • Impostos e INSS: o que você precisa recolher (DAS, carnê-leão) e a sua aposentadoria — dinheiro que entra e sai, então precisa estar no preço.
  • Custos fixos: internet, softwares, equipamento, contador e tudo que você paga mesmo sem cliente naquele mês.
  • Horas faturáveis: as horas que você efetivamente cobra de clientes — sempre menos que as horas trabalhadas.
Diagrama em dois passos mostrando o cálculo do preço por hora: no passo 1 somam-se a renda líquida desejada de R$ 5.000, os impostos e INSS de R$ 1.000 e os custos fixos de R$ 1.000, chegando a um total a faturar de R$ 7.000 no mês; no passo 2 esse total é dividido por 120 horas faturáveis, resultando em um preço por hora de R$ 58,33

No exemplo acima, quem quer R$ 5.000 líquidos, reserva R$ 1.000 de impostos e INSS e tem R$ 1.000 de custos fixos precisa faturar R$ 7.000 no mês. Dividido pelas 120 horas faturáveis, o preço fica em R$ 58,33 a hora. A calculadora de preço por hora faz essa conta com os seus próprios números.

Por que as horas faturáveis são menos que as trabalhadas

Aqui está o pulo do gato que quase todo iniciante erra. Você pode trabalhar 176 horas por mês (8 horas em 22 dias úteis), mas não consegue faturar todas elas. Boa parte do seu tempo vai para tarefas que não geram nota:

  • Prospecção e propostas: procurar clientes, responder mensagens, montar orçamentos.
  • Administração e financeiro: emitir notas, cobrar, organizar recibos, falar com o contador.
  • Estudos e capacitação: cursos, testes, atualização — o que mantém você competitivo.
  • Férias e faltas: você também precisa descansar, e ninguém paga sua folga.

Na prática, reserve cerca de 30% do mês para essas atividades. Sobram então perto de 120 horas faturáveis — e é por elas que você divide, não pelas 176.

Barra horizontal representando o mês de trabalho de cerca de 176 horas, dividida em duas partes: cerca de 120 horas faturáveis (70%, em azul) e cerca de 56 horas não faturáveis (30%, em âmbar) consumidas por prospecção, propostas, administração, estudos e férias; um alerta destaca que dividir R$ 7.000 pela jornada cheia de 176 horas dá apenas R$ 39,77, contra R$ 58,33 ao dividir pelas 120 horas faturáveis

O Sebrae trata isso na formação de preço de serviços: o valor da hora precisa embutir o tempo não produtivo, senão o negócio opera no vermelho (sebrae.com.br).

Reserve imposto e INSS antes de comemorar

O dinheiro que cai na conta não é todo seu. Uma parte é do Leão e outra é da sua aposentadoria — e o quanto separar depende do seu regime:

  • MEI: você paga o DAS fixo todo mês (em 2026, R$ 86,05 para serviços), com vencimento no dia 20. O INSS já está embutido nesse valor. Simule no simulador de DAS.
  • Autônomo pessoa física: você recolhe o carnê-leão (IR mensal por DARF 0190) sobre o que recebe de outras pessoas físicas, e paga o INSS de contribuinte individual por conta própria — 11% sobre o salário mínimo (R$ 178,31/mês) no plano simplificado ou 20% sobre a base declarada no plano completo. Entenda a diferença em INSS do autônomo: 11% ou 20% e em carnê-leão, o imposto do autônomo.

A escolha entre atuar como PF, MEI ou PJ muda bastante a mordida do imposto — e, com ela, o valor mínimo que a sua hora precisa render. O comparativo em autônomo: PF, MEI ou PJ em 2026 ajuda a decidir. Para o INSS, as regras oficiais estão no site do INSS; para o carnê-leão e o DARF, na Receita Federal.

Some os custos fixos do negócio

Custo fixo é aquilo que você paga tenha cliente ou não — e que, esquecido, vira prejuízo silencioso. Faça uma lista honesta e some tudo por mês:

  • Internet e telefone, energia e a parte do aluguel usada para trabalhar (ou o coworking).
  • Softwares e assinaturas: ferramentas de edição, hospedagem, e-mail profissional, licenças.
  • Equipamento: computador, câmera, celular — divida o preço pela vida útil e reserve a parcela mensal para trocar quando quebrar.
  • Contador, taxas bancárias e emissão de notas.
  • Marketing e uma reserva para meses fracos.

Esse total entra inteiro no numerador da fórmula. Se você tem R$ 1.000 de custos fixos e não os coloca no preço, está pagando para trabalhar.

O erro clássico de dividir pela jornada cheia

O engano mais comum é pegar a renda desejada e dividir pela jornada inteira, ignorando impostos, custos e o tempo não faturável. No exemplo, dividir os R$ 7.000 pelas 176 horas cheias dá R$ 39,77 — um preço que parece competitivo, mas não cobre o que precisa cobrir.

Ao usar as 120 horas faturáveis, a mesma meta exige R$ 58,33 a hora. A diferença de quase 50% é exatamente o que separa um freelancer que se sustenta de um que vive apagando incêndio financeiro. Cobrar certo desde o começo evita ter que "consertar" o preço com o cliente depois.

Este conteúdo é educacional e não substitui a orientação de um contador. Regimes, alíquotas e a sua realidade de custos variam — use a fórmula como ponto de partida e valide os números com um profissional.

Calcular o preço por hora

Simule com os seus números e decida com segurança.

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Conteúdo educacional — não substitui consultoria.
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Perguntas frequentes

Qual é a fórmula do preço por hora do autônomo?

Preço/hora = (renda líquida desejada + impostos + custos fixos) ÷ horas faturáveis. Você soma o que quer receber no bolso, o que precisa reservar de imposto e INSS e os custos fixos do mês, e divide pelas horas que realmente consegue cobrar de clientes.

Por que não posso dividir pela jornada cheia do mês?

Porque nem toda hora trabalhada é faturável. Prospecção, propostas, administração, estudos e férias consomem cerca de 30% do mês. Dividir pela jornada inteira (176 h) em vez das horas faturáveis (~120 h) faz o preço sair baixo demais para cobrir impostos e custos.

Preciso reservar imposto mesmo sendo MEI?

Sim. O MEI paga o DAS fixo todo mês (R$ 86,05 para serviços em 2026, com INSS já incluído), então esse valor precisa estar no preço. O autônomo pessoa física reserva ainda mais: carnê-leão (DARF 0190) e o INSS de contribuinte individual (11% ou 20%).

Quantas horas faturáveis eu tenho por mês?

Em geral, cerca de 120 horas para quem trabalha em tempo integral (de um total próximo de 176). O número muda conforme a profissão, o ritmo de trabalho e quanto tempo você gasta buscando clientes — o certo é medir as suas próprias horas por algumas semanas.