MEI ou Simples Nacional: a conta muda muito
Como MEI, você paga um DAS fixo (cerca de R$ 82 a R$ 87 por mês), independentemente do faturamento, desde que fique dentro do teto de R$ 81.000/ano. Ao migrar para ME no Simples Nacional, o imposto passa a ser um percentual do faturamento (a alíquota efetiva), que começa em 4% no comércio (Anexo I) e 6% nos serviços (Anexo III) e sobe por faixas.
Quando a migração acontece
Enquanto couber no teto, o MEI é quase sempre muito mais barato. A migração vira tema quando o faturamento se aproxima ou ultrapassa R$ 81.000/ano. Aí vale saber o impacto: no comércio, por exemplo, R$ 81.000/ano dão cerca de R$ 270/mês de Simples, contra ~R$ 82 de DAS do MEI.
Anexos e o Fator R
No Simples, a atividade define o Anexo: comércio (I), indústria (II), serviços (III ou V). Para muitos serviços, quem decide é o Fator R: se a folha de pagamento (incluindo o pró-labore) for de pelo menos 28% do faturamento, você cai no Anexo III (mais barato); abaixo disso, no Anexo V (mais caro). Por isso o pró-labore é uma alavanca de planejamento.
| Faturamento em 12 meses | Anexo I (comércio) | Anexo III (serviços) |
|---|---|---|
| Até R$ 180.000 | 4,00% | 6,00% |
| De 180.000 a 360.000 | 7,30% | 11,20% |
| De 360.000 a 720.000 | 9,50% | 13,50% |
Essas são as alíquotas nominais de cada faixa. A alíquota efetiva (o que você paga de fato) é menor, porque há uma parcela a deduzir em cada faixa.
O que o DAS do Simples inclui
A vantagem do Simples é unificar vários tributos numa guia só: IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP (a parte previdenciária da empresa) e o ICMS (comércio/indústria) ou ISS (serviços). Por isso, mesmo sendo um percentual do faturamento, costuma ser mais simples e barato que o Lucro Presumido para a maioria das pequenas empresas.
O que muda do MEI para a ME
Sair do MEI traz novas obrigações: contador (praticamente indispensável), emissão regular de notas fiscais, folha de pagamento se houver funcionários e declarações mensais. Em compensação, a ME pode faturar até R$ 4,8 milhões/ano, ter vários funcionários e exercer atividades vedadas ao MEI.
O Fator R como planejamento
Para serviços, manter a folha (incluindo pró-labore) em pelo menos 28% do faturamento leva a tributação ao Anexo III, mais barato. Ajustar o pró-labore é, portanto, uma decisão de planejamento tributário, algo que vale revisar com o contador todo ano.
Exemplo prático
Comércio faturando R$ 6.750/mês (R$ 81.000/ano): no Simples (Anexo I, 4%) seriam R$ 270/mês; como MEI, o DAS é de R$ 82,05. A diferença é o custo de crescer além do MEI.
📖 Leia no blog: MEI em 2026: atividades permitidas e DAS
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