CLT ou PJ: qual rende mais no seu bolso?

Recebeu uma proposta PJ? Compare o líquido como PJ (MEI ou Simples) com o valor real do seu salário CLT, incluindo 13º, férias e FGTS. Já com a reforma do IR 2026.

Quanto a empresa pagaria a você como PJ (faturamento mensal).

Ex.: ferramentas, internet. O contador já entra quando for ME no Simples.

CLT ou PJ: por que não dá para comparar o bruto

Uma proposta PJ de R$ 12 mil parece imbatível ao lado de um salário CLT de R$ 8 mil, mas a comparação justa é entre o que sobra líquido de cada lado. O CLT carrega 13º, férias + 1/3 e FGTS (8% ao mês) e ainda tem seguro-desemprego e estabilidade. O PJ recebe mais "na veia", mas paga o próprio imposto e INSS e abre mão de tudo isso. Na prática, a proposta PJ costuma precisar ser 20% a 40% maior que o salário CLT só para empatar.

A reforma do IR 2026 entra na conta

Com a isenção de Imposto de Renda até R$ 5.000 (e parcial até R$ 7.350), o líquido do CLT subiu. Resultado: para salários até essa faixa, a proposta PJ precisa render ainda mais para compensar. A vantagem do PJ cresce mesmo para salários mais altos, onde o CLT paga até 27,5% de IR.

O que o PJ banca sozinho

Antes de aceitar, lembre que do faturamento PJ saem custos que no CLT eram do empregador:

  • Imposto (DAS do Simples) e contador todo mês.
  • INSS sobre o pró-labore: sua aposentadoria depende disso.
  • Reserva para 13º e férias: ninguém paga por você (guarde ~1/6 do faturamento).
  • Períodos sem contrato: não há FGTS nem seguro-desemprego como rede.

Além do dinheiro

Líquido não é tudo. O CLT traz previsibilidade e proteções: estabilidade relativa, FGTS, seguro-desemprego, INSS pago em parte pela empresa, licenças e, muitas vezes, plano de saúde e benefícios. O PJ oferece flexibilidade, possibilidade de atender vários clientes e abater despesas, mas assume todo o risco: meses fracos, férias e doença sem remuneração garantida, e a própria aposentadoria por conta. Avalie o seu momento de vida e a sua tolerância a risco, não só o número do mês.

Como negociar uma proposta PJ

Se a oferta é "trocar" CLT por PJ, peça um valor que cubra a diferença (em geral 20% a 40% acima do salário CLT) e lembre de descontar o contador e o imposto do seu cálculo. Negocie também quem arca com custos e equipamentos e deixe claro que você atenderá outros clientes (isso reduz o risco de a relação ser vista como emprego disfarçado).

Exemplo prático

CLT de R$ 8.000 (sem dependentes) vale ~R$ 7.205/mês (líquido + 13º + férias), mais ~R$ 640 de FGTS. Uma proposta PJ de R$ 12.000 em serviços (ME no Simples) deixa ~R$ 10.802 líquidos. Aqui o PJ vence com folga. Já um PJ de R$ 8.000 contra esse mesmo CLT renderia menos que o salário.

📖 Leia no blog: CLT vs MEI: a comparação de custos

Conteúdo educacional. Não substitui a orientação de um contador para o seu caso. Veja o Aviso Legal.

Perguntas frequentes

CLT ou PJ: qual ganha mais?

Depende dos valores. Não basta comparar o bruto: o CLT inclui 13º, férias + 1/3 e FGTS, enquanto o PJ paga o próprio imposto e INSS. Esta calculadora compara o líquido real dos dois.

Uma proposta PJ maior que meu salário CLT sempre compensa?

Nem sempre. Como PJ você perde FGTS, seguro-desemprego, 13º e férias, e passa a pagar imposto e INSS. Em geral a proposta PJ precisa ser de 20% a 40% maior que o salário CLT só para empatar.

O comparador considera a reforma do IR 2026?

Sim. Usa a isenção de Imposto de Renda até R$ 5.000 (e parcial até R$ 7.350), que aumentou o líquido do CLT e, portanto, o quanto a proposta PJ precisa render para compensar.

Como é calculado o líquido como PJ?

Se o faturamento couber no teto do MEI (R$ 81.000/ano), descontamos só o DAS fixo. Acima disso, consideramos ME no Simples (Anexo III serviços ou I comércio), com a alíquota efetiva, o INSS sobre o pró-labore mínimo e o contador.