Sair da CLT para MEI/PJ: a conta completa

Antes de pedir demissão, descubra quanto precisa guardar e quanto faturar como MEI ou PJ para manter o seu padrão de vida — incluindo 13º, férias e o FGTS que você deixa de receber. Já com a reforma do IR 2026.

Usamos para calcular o líquido + 13º + férias (o seu "alvo").

Quanto custa o seu mês hoje — base da reserva.

Quanto tempo até a renda como PJ cobrir seus gastos.

Ex.: ferramentas, internet, coworking (fora o contador, já incluído no Simples).

Abertura, certificado digital, equipamentos iniciais.

O erro nº 1 de quem sai da CLT: olhar só o salário líquido

Para "empatar" com o CLT, você não precisa repor apenas o líquido que cai na conta. Precisa repor o valor real do emprego: o líquido + o 13º (que equivale a ~1/12 a mais por mês) + as férias com 1/3 (outro ~1/12) e ainda contar que vai perder o FGTS (8% do salário depositado todo mês) e o seguro-desemprego. Por isso o faturamento mínimo como PJ costuma ser bem maior do que o salário parece indicar.

A reforma do IR 2026 mudou (e contra o que muitos pensam)

Com a isenção de Imposto de Renda até R$ 5.000 (e parcial até R$ 7.350), o líquido de quem é CLT subiu. Como o seu alvo a bater como PJ é justamente esse líquido, o alvo também subiu — ou seja, para salários até essa faixa, virar PJ não aumenta sua renda automaticamente. A vantagem matemática de ser PJ aparece com força para salários acima de R$ 7.350, em que o CLT chega a pagar 27,5% de IR e o PJ no Simples paga uma alíquota efetiva menor, com o lucro distribuído isento.

Exemplo prático

Salário de R$ 5.000 (sem dependentes): o líquido é ~R$ 4.498, mas o alvo real (com 13º e férias) é ~R$ 5.315/mês. Para manter isso como MEI de serviços você precisa faturar ~R$ 5.400/mês; como PJ no Simples, ~R$ 6.090/mês. E ainda some a reserva antes de sair.

Conteúdo educacional — não substitui a orientação de um contador para o seu caso. Veja o Aviso Legal.

Checklist da transição CLT → PJ

  1. 1
    Confirme se a sua atividade pode ser MEI e escolha o CNAE certo. Buscar CNAE permitido →
  2. 2
    Monte a reserva de transição + colchão de 6 meses antes de pedir demissão (use a calculadora acima).
  3. 3
    Decida o regime: MEI (até R$ 81 mil/ano) ou ME no Simples. Comparar MEI × Simples → · Ver o teto do MEI →
  4. 4
    Defina seu preço por hora ou por projeto já reservando impostos e custos. Calcular preço por hora →
  5. 5
    Abra o CNPJ (Portal do Empreendedor para MEI; contador para ME) e uma conta PJ separada das finanças pessoais.
  6. 6
    Cuide da proteção que você perde: plano de saúde, aposentadoria (INSS de MEI aposenta por 1 salário mínimo) e seguro de vida. Ver regras de aposentadoria →
  7. 7
    Evite a pejotização disfarçada: se for prestar serviço a um único cliente com subordinação, há risco de vínculo. Avaliar risco de vínculo →

Perguntas frequentes

Vale a pena sair da CLT para virar MEI ou PJ?

Depende do salário e do quanto você consegue faturar. O alvo a bater não é só o líquido: inclui 13º, férias + 1/3 e o FGTS que você deixa de receber. A ferramenta mostra o faturamento mínimo para manter seu padrão e a reserva necessária antes de pedir demissão.

Quanto preciso faturar como PJ para manter meu salário CLT?

Como MEI, basta repor o alvo (líquido + 13º/12 + férias/12) mais o DAS fixo. Como PJ no Simples, é preciso cobrir também a alíquota do Simples, o INSS sobre o pró-labore e o contador. A ferramenta calcula os dois e avisa se o valor passa do teto do MEI (R$ 81.000/ano).

Quanto devo guardar antes de pedir demissão?

A reserva de transição (gastos mensais × meses até a renda PJ engatar) somada a um colchão de emergência de 6 meses — já que PJ não tem FGTS nem seguro-desemprego — mais os custos de montagem da empresa.

A reforma do Imposto de Renda de 2026 mudou essa conta?

Sim. Com a isenção de IR até R$ 5.000, o líquido do CLT subiu, então o alvo a bater como PJ também subiu — para quem ganha até essa faixa, virar PJ não aumenta a renda automaticamente. A vantagem de PJ é maior para salários acima de R$ 7.350.