O erro nº 1 de quem sai da CLT: olhar só o salário líquido
Para "empatar" com o CLT, você não precisa repor apenas o líquido que cai na conta. Precisa repor o valor real do emprego: o líquido + o 13º (que equivale a ~1/12 a mais por mês) + as férias com 1/3 (outro ~1/12) e ainda contar que vai perder o FGTS (8% do salário depositado todo mês) e o seguro-desemprego. Por isso o faturamento mínimo como PJ costuma ser bem maior do que o salário parece indicar.
A reforma do IR 2026 mudou (e contra o que muitos pensam)
Com a isenção de Imposto de Renda até R$ 5.000 (e parcial até R$ 7.350), o líquido de quem é CLT subiu. Como o seu alvo a bater como PJ é justamente esse líquido, o alvo também subiu; ou seja, para salários até essa faixa, virar PJ não aumenta sua renda automaticamente. A vantagem matemática de ser PJ aparece com força para salários acima de R$ 7.350, em que o CLT chega a pagar 27,5% de IR e o PJ no Simples paga uma alíquota efetiva menor, com o lucro distribuído isento.
Antes de pedir as contas: um checklist
- Reserva de 6 meses de custo de vida: você perde o seguro-desemprego.
- Abra o CNPJ e teste a renda antes de sair, em paralelo se possível.
- Provisione 13º e férias: guarde ~1/6 do que faturar.
- Continue contribuindo ao INSS (pró-labore) para não perder cobertura e aposentadoria.
- Negocie a saída: acordo (484-A) ou dispensa preserva parte do FGTS/aviso; pedir demissão, não.
MEI ou ME: qual formato abrir
Depende do quanto você vai faturar e da atividade. Até R$ 81.000/ano e em ocupação permitida, o MEI é o mais simples e barato (DAS fixo). Acima disso, ou em profissão regulamentada, o caminho é a ME no Simples Nacional, com alíquota efetiva sobre o faturamento e a necessidade de um contador. Muita gente começa MEI e migra para ME quando o faturamento cresce.
O que você perde e como repor
- FGTS: ninguém deposita 8% por você; crie uma reserva mensal equivalente.
- 13º e férias: guarde ~1/6 do faturamento para não ficar sem renda nesses períodos.
- INSS e aposentadoria: contribua pelo pró-labore (ou como contribuinte individual). Sem isso, não há cobertura nem tempo de contribuição.
- Plano de saúde e seguros: passam a ser custo seu; inclua no preço do seu serviço.
Exemplo prático
Salário de R$ 5.000 (sem dependentes): o líquido é ~R$ 4.498, mas o alvo real (com 13º e férias) é ~R$ 5.315/mês. Para manter isso como MEI de serviços você precisa faturar ~R$ 5.400/mês; como PJ no Simples, ~R$ 6.090/mês. E ainda some a reserva antes de sair.
Conteúdo educacional. Não substitui a orientação de um contador para o seu caso. Veja o Aviso Legal.