PF, MEI ou PJ: como decidir
Quem trabalha por conta própria pode atuar de três formas, e cada uma tem uma carga tributária diferente sobre a mesma renda. Como autônomo (pessoa física), você recolhe o carnê-leão (Imposto de Renda pela tabela progressiva) e o INSS de contribuinte individual. Como MEI, paga um DAS fixo de cerca de R$ 82 a R$ 87 por mês, desde que fique no teto de R$ 81.000/ano. Como PJ no Simples (ME), paga uma alíquota efetiva sobre o faturamento, mais o INSS sobre o pró-labore e o contador.
A regra geral
- Renda baixa, dentro do teto: o MEI quase sempre vence: DAS fixo barato e CNPJ para emitir nota.
- Acima do teto do MEI: a escolha fica entre autônomo (PF) e PJ no Simples; o PJ tende a ganhar porque o carnê-leão chega a 27,5%.
- Quem recebe de empresas: ter CNPJ (MEI ou PJ) costuma ser exigência do contratante, e o IR da PF (carnê-leão) só vale para recebimentos de pessoa física.
O que muda em cada formato
| PF (autônomo) | MEI | PJ no Simples | |
|---|---|---|---|
| Imposto principal | Carnê-leão (até 27,5%) | DAS fixo (~R$ 82–87) | Alíquota efetiva sobre o faturamento |
| Limite de faturamento | Sem limite | R$ 81.000/ano | R$ 4,8 mi/ano |
| Nota fiscal | RPA / nota avulsa | Sim (CNPJ) | Sim (CNPJ) |
| Contador | Não | Não exigido | Sim |
| INSS | Individual (11% ou 20%) | Incluído no DAS | Sobre o pró-labore |
Cresça mudando de formato
Não é uma escolha para a vida toda. Muita gente começa como PF (carnê-leão) para testar a atividade, abre MEI quando precisa emitir nota e formalizar, e migra para ME no Simples quando o faturamento passa do teto. Reavalie o formato a cada salto de renda: o que era ótimo a R$ 3.000/mês pode sair caro a R$ 12.000/mês.
Cuidado com a pejotização
Se você presta serviço de forma contínua e exclusiva para uma única empresa, com horário e subordinação, abrir MEI/PJ só para reduzir imposto pode configurar vínculo empregatício disfarçado, com risco para os dois lados. O formato PJ é seguro quando há autonomia real e, de preferência, mais de um cliente.
Além do imposto
O mais barato no papel nem sempre é o melhor: pese também a burocracia (o PJ exige contador), a cobertura do INSS (que você precisa garantir por conta) e a imagem perante clientes (ter CNPJ abre portas). Decida pelo conjunto, não só pela conta do mês.
Exemplo prático
Renda de R$ 4.000/mês em serviços: como MEI sobra ~R$ 3.914 (só o DAS), como PF ~R$ 3.822 (INSS) e como PJ ~R$ 3.282 (com contador): o MEI vence. Já a R$ 15.000/mês, o MEI não serve (passa do teto) e o PJ no Simples deixa ~R$ 13.622 contra ~R$ 11.654 do autônomo.
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