Sim, o MEI pode ter um funcionário — só um

A lei permite que o Microempreendedor Individual tenha um único empregado. Esse funcionário precisa receber, no mínimo, um salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026) ou o piso da categoria, se a profissão tiver um piso maior definido em convenção coletiva.

É a forma de o MEI crescer sem sair do regime simplificado: continua pagando o DAS fixo todo mês e mantém o teto de faturamento de R$ 81.000 por ano. Se o negócio precisa de duas ou mais pessoas, aí não dá mais — é preciso migrar para Microempresa (ME), como veremos no fim.

Quanto custa de verdade

O erro clássico é achar que contratar custa só o salário. Além dos R$ 1.621, o MEI empregador paga encargos e provisiona verbas que vencem depois (13º e férias). Somando tudo, o custo fica cerca de 30% acima do salário — perto de R$ 2.114 por mês.

Composição do custo real do funcionário do MEI: sobre o salário mínimo de R$ 1.621 somam-se INSS patronal de 3%, FGTS de 8%, provisão de 13º de 8,33% e provisão de férias mais um terço de 11,11%, chegando a cerca de R$ 2.114 por mês, aproximadamente 30% acima do salário

A parte boa: os encargos do MEI são menores que os de uma empresa normal. Uma empresa comum paga 20% de INSS patronal sobre a folha; o MEI paga apenas 3%. É justamente esse desconto que torna viável ter um empregado dentro do regime.

Encargos e provisões: por que passa de R$ 2.100

Sobre o salário mínimo de R$ 1.621, a conta do empregador MEI fica assim:

  • INSS patronal — 3%: R$ 48,63 por mês (contra 20% de uma empresa comum).
  • FGTS — 8%: R$ 129,68 por mês, depositado na conta do trabalhador.
  • Provisão de 13º — 8,33%: R$ 135,03 por mês, que você separa para pagar o 13º no fim do ano.
  • Provisão de férias + 1/3 — ~11,11%: R$ 180,10 por mês, para as férias acrescidas do terço constitucional.

Somando salário e encargos, chega-se a cerca de R$ 2.114 por mês. Vale um alerta: o INSS de 7,5% que aparece no holerite é do empregado — ele é descontado do salário, não é custo extra do empregador. Quem paga a parte patronal de 3% é o MEI.

As obrigações: eSocial, FGTS e folha

Contratar traz responsabilidades formais que existem mesmo com um único empregado:

  • eSocial Doméstico/Simplificado: o registro do empregado, a folha e os eventos (admissão, férias, afastamentos) são feitos pelo eSocial. É por ali que se gera a guia unificada com FGTS e INSS.
  • Carteira assinada e contrato: anotação na CTPS digital, exame admissional e contrato de trabalho.
  • Folha de pagamento mensal, recibo de férias, 13º e, na saída, as verbas rescisórias.
  • Guia mensal dos encargos, paga separadamente do DAS do MEI.

Nada disso é bicho de sete cabeças, mas costuma justificar o apoio de um contador — que, para o MEI, tem custo acessível e evita multas por atraso de FGTS ou de declaração.

Quando migrar para ME

O limite de um funcionário é o principal gatilho. Precisou da segunda contratação? O caminho é desenquadrar o MEI e abrir uma Microempresa no Simples Nacional. O outro gatilho é o faturamento: passou de R$ 81.000 por ano (R$ 6.750/mês em média), também é hora de mudar de regime.

Comparação entre continuar como MEI e migrar para Microempresa: o MEI pode manter até 1 empregado com salário mínimo ou piso, encargos reduzidos de 3% de INSS e 8% de FGTS e teto de R$ 81.000 por ano; a partir de 2 funcionários ou acima do teto de faturamento é preciso virar ME no Simples Nacional, com folha e encargos cheios

Na ME, os encargos deixam de ser reduzidos e a tributação passa a ser pela tabela do Simples, mas some o limite de um empregado — você contrata quantos precisar. Antes de decidir, compare o custo dos dois cenários e confirme o piso da categoria do seu funcionário.

Custo do funcionário do MEI

Simule com os seus números e decida com segurança.

Abrir ferramenta
Conteúdo educacional — não substitui consultoria.

Perguntas frequentes

Quantos funcionários o MEI pode ter?

Apenas um. Esse empregado deve receber no mínimo um salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026) ou o piso da categoria. Para contratar a segunda pessoa, é preciso migrar para Microempresa (ME).

Quanto custa um funcionário para o MEI?

Cerca de 30% acima do salário. Sobre o mínimo de R$ 1.621, somam-se INSS patronal de 3% (R$ 48,63), FGTS de 8% (R$ 129,68) e as provisões de 13º e férias — chegando a aproximadamente R$ 2.114 por mês.

Por que o INSS do MEI empregador é só 3%?

Porque o MEI tem uma alíquota patronal reduzida: 3% sobre a folha, contra os 20% de uma empresa comum. O INSS de 7,5% que aparece no holerite é do empregado e é descontado do salário dele, não é custo extra seu.

Quando o MEI precisa virar ME?

Quando precisa de um segundo funcionário ou quando o faturamento passa de R$ 81.000 por ano. Nesses casos, o desenquadramento leva a empresa para o Simples Nacional, com encargos e folha cheios. Vale confirmar o momento certo com um contador.