O erro clássico: comparar bruto com bruto
O salário CLT vem acompanhado de um pacote que não aparece no contracheque:
- 13º salário (1/12 por mês)
- Férias + 1/3 (mais 1/12 acrescido do terço)
- FGTS: 8% depositados por fora, mais a multa de 40% numa eventual dispensa
- Seguro-desemprego, aviso prévio, estabilidades e os benefícios do contrato (plano, VR/VA)
Já o PJ recebe o valor cheio da nota, mas paga sozinho: imposto do regime (Simples, na maioria dos casos), INSS de pró-labore (sem ele não conta tempo de aposentadoria), contador, e banca as próprias férias: mês parado é mês sem faturar.
A régua certa é uma só: quanto sobra líquido por mês em cada formato, contando tudo.
Exemplo calculado: CLT de R$ 8.000 vs PJ de R$ 12.000
Números da nossa ferramenta, serviços no Simples (Anexo III), sem dependentes:
Lado CLT (R$ 8.000 brutos):
- Líquido mensal após INSS e IR: R$ 6.040,64
- 13º mensalizado: + R$ 503,39
- Férias + 1/3 mensalizadas: + R$ 660,48
- Valor CLT total: R$ 7.204,51/mês (com FGTS de R$ 640/mês por fora, R$ 7.844,51)
Lado PJ (R$ 12.000 de faturamento):
- Simples Nacional (6% no início): − R$ 720
- INSS sobre o pró-labore: − R$ 178,31
- Contador: − R$ 300
- Líquido PJ: R$ 10.801,69/mês
Resultado: o PJ rende R$ 3.597,18 a mais por mês (R$ 2.957,18 se você contar o FGTS como dinheiro seu). Nesse exemplo, a proposta compensa com folga. Com outros valores, a conta vira: é exatamente isso que o comparador CLT × PJ calcula com os seus números.
O que a calculadora não vê (e você precisa pesar)
- Benefícios: plano de saúde e VR/VA de R$ 1.000+ por mês mudam a conta. Some o valor deles ao lado CLT.
- Estabilidade: PJ não tem aviso prévio, multa nem seguro-desemprego. O contrato pode acabar amanhã.
- Reserva: o PJ precisa provisionar as próprias férias e os meses fracos.
- Risco de vínculo: PJ com horário fixo, subordinação e exclusividade é CLT disfarçada; o verificador de risco de vínculo mostra os sinais.
- Crédito: bancos ainda tratam melhor o holerite CLT em financiamentos.
Regra de bolso antes de abrir a calculadora
Uma proposta PJ começa a fazer sentido quando fica pelo menos 30% a 40% acima do bruto CLT equivalente. Abaixo disso, o "aumento" costuma evaporar entre impostos, contador e os benefícios perdidos. Acima disso, entre na conta fina.
E se a mudança for da própria empresa ("vira PJ e continua aqui"), leia também o nosso guia de transição CLT → PJ, que calcula a reserva necessária antes de aceitar.
Simule com os seus números e decida com segurança.
Perguntas frequentes
Quanto um PJ paga de imposto?
Prestador de serviços no Simples começa em torno de 6% do faturamento (Anexo III, com Fator R favorável). Somam-se INSS do pró-labore e contador. O total efetivo do exemplo acima ficou perto de 10% do faturamento.
PJ conta tempo de aposentadoria?
Só se recolher INSS sobre o pró-labore (ou como contribuinte individual). Quem fatura sem recolher nada fica sem cobertura previdenciária: sem aposentadoria, auxílio-doença ou salário-maternidade.
Posso ser MEI em vez de abrir uma PJ comum?
Depende do faturamento e da atividade. O MEI tem teto de R$ 81.000/ano (R$ 6.750/mês); a proposta de R$ 12.000 mensais do exemplo já não cabe. Confira sua atividade no buscador de CNAE e o limite na calculadora de teto.
A empresa pode me obrigar a virar PJ?
Não. A "pejotização" forçada, mantendo horário, chefia e a mesma rotina, é fraude trabalhista reconhecida pela Justiça. Aceitar é uma escolha; vale exigir compensação financeira clara pela perda das proteções.
Vale a pena por causa da isenção de IR até R$ 5.000?
A isenção de 2026 vale para o salário CLT e para o pró-labore do PJ. Ela muda o líquido dos dois lados, e a ferramenta já aplica a regra nova nas duas contas. Os detalhes estão no nosso guia da isenção.
