Empresário 3 min de leitura•Atualizado em 12 de outubro de 2026

Empregado doméstico: quanto custa de verdade para o patrão

Contratar um empregado doméstico custa mais do que o salário: são cerca de 20% de encargos por cima, pagos numa guia única (o DAE do eSocial Doméstico). Veja o custo real, o que entra na conta e os direitos do doméstico.

Empregado doméstico: quanto custa de verdade para o patrão

O custo não é só o salário

Desde a Lei Complementar 150/2015, o empregado doméstico tem os mesmos direitos de um trabalhador CLT, e o patrão recolhe os encargos por meio do eSocial Doméstico, numa guia única mensal, o DAE. Sobre o salário incidem:

  • INSS patronal: 8%
  • FGTS: 8%
  • Antecipação da multa do FGTS: 3,2% (guardada para uma futura dispensa sem justa causa)
  • Seguro contra acidentes (GILRAT): 0,8%

Somando, os encargos do empregador ficam em torno de 20% do salário.

Exemplo com salário de R$ 1.621

Para um salário de R$ 1.621:

  • INSS patronal (8%): R$ 129,68
  • FGTS (8%): R$ 129,68
  • Antecipação da multa (3,2%): R$ 51,87
  • GILRAT (0,8%): R$ 12,97
  • Custo total para o patrão: R$ 1.945,20 (salário + R$ 324,20 de encargos)

Além disso, o DAE recolhe também a parte do empregado: o INSS do trabalhador (R$ 121,58) é descontado do salário, então ele recebe R$ 1.499,42 líquidos. O DAE total fica em R$ 445,78, e é ele que o patrão paga todo mês, junto com o salário líquido. Faça a conta com o salário real na calculadora de custo do doméstico.

O que mais entra no ano

O custo mensal não é tudo. Ao longo do ano, o empregador ainda arca com:

  • 13º salário (com os encargos sobre ele)
  • Férias + 1/3
  • Vale-transporte, quando houver deslocamento
  • Em caso de dispensa sem justa causa, a multa de 40% do FGTS (parte já antecipada pelos 3,2% mensais)

Por isso, ao planejar a contratação, o valor a reservar por mês é maior que o DAE: vale provisionar o 13º e as férias.

Quem é empregado doméstico

É quem presta serviço de forma contínua, subordinada e remunerada a uma pessoa ou família, no âmbito residencial, por mais de 2 dias por semana: diarista que vai 3 vezes ou mais, babá, cuidador, motorista particular, caseiro, jardineiro fixo. Quem vai até 2 dias por semana é diarista (autônoma) e não gera vínculo doméstico.

Calculadora de custo do empregado doméstico

Simule com os seus números e decida com segurança.

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Perguntas frequentes

Preciso registrar quem trabalha 2 dias por semana?

Não. Até 2 dias por semana, é diarista (trabalhadora autônoma), sem vínculo de emprego doméstico. A partir de 3 dias com habitualidade, há vínculo e a contratação pelo eSocial passa a ser obrigatória.

O que é o DAE?

É o Documento de Arrecadação do eSocial: uma guia única mensal que reúne o INSS (do patrão e do empregado), o FGTS, a antecipação da multa e o seguro de acidentes. O patrão emite no portal do eSocial Doméstico e paga até o dia 7 do mês seguinte.

Qual o custo aproximado por cima do salário?

Cerca de 20% em encargos mensais (8% INSS patronal + 8% FGTS + 3,2% de antecipação de multa + 0,8% de GILRAT). Somando 13º e férias provisionados, o custo anual dividido por 12 fica ainda um pouco acima disso.

Posso descontar vale-transporte e alimentação?

O vale-transporte pode ser descontado em até 6% do salário. Já a alimentação e a moradia fornecidas no local de trabalho, quando indispensáveis à atividade, não podem ser descontadas como salário-utilidade no caso do doméstico.

Diarista pode virar empregada com o tempo?

Sim. Se a mesma pessoa passa a ir 3 ou mais dias por semana, de forma habitual, caracteriza-se o vínculo doméstico, com todos os direitos. Nesse ponto, a contratação formal protege as duas partes.